05/04/2007 ..

Eu só quero chocolate...



Pois é, a partir de hoje está liberado! Mesmo se você estiver tentando manter aquela dietinha, esqueça. Nos próximos dias tudo o que for de chocolate é inofensivo. Faz parte da tradição. Essa é a resposta preferida dos chocólatras inveterados nessa época!

As lojas estão abarrotadas de ovos de chocolate de todos os tamanhos, cores e aromas.

Aromas?

Detesto chocolate que não é chocolate. Chocolate não pode ser de morango, isso é elementar meu caro Watson! Chocolate é chocolate, no máximo um crocante para criar um contraste de texturas, indispensável, aliás. Mas essências, cores, sabores e invencionices desse tipo eu não aceito. Acredito que os belgas – maiores entendedores dessa área – também não.

O chocolate é uma das pérolas da gastronomia, e como tal, merece respeito, cuidado e reverência. Trabalhar com um bom chocolate é uma dádiva, um prazer desde os primeiros instantes. Abrir a barra de um bom chocolate, sentir o seu perfume, tocar, experimentar a sua textura, não só na boca, mas na pele, é uma sensação divina. Depois manipular com carinho, derreter com cuidado, misturar, emulsionar, moldar ou mergulhar os dedos e se perder....

O chocolate é sensual, é intenso, é puro e verdadeiro. Se encaixa nas mais variadas situações com a desenvoltura de um diplomata. Vai bem na sobremesa, depois da sobremesa, no café, depois do café, pela manhã, à tarde, na madrugada. Sozinho, acompanhado, livre, leve e solto!

Divirtam-se!

Até!
04/04/2007 ..

O gosto da terra...


Sempre que posso fazer pequenas pausas no tempo - lembrando daquela minha velha máxima: a vida precisa de pausas – me mando para a região serrana. Adoro a serra, o ar da serra, o cheiro da serra, o gosto da serra. Adoro o ar contemplativo das pessoas, a tranqüilidade do fim de tarde, o clima, a vida na serra!

Tenho dois sonhos ainda na pauta da minha vida. Um deles é uma casinha na serra. Pode ser até de sapê, não me importo. Mas duas coisas eu não abro mão: lareira e fogão à lenha! Acho que não existe nada mais reconfortante – além de banheira – do que lareira e fogão à lenha. Podendo ter os três, vou ter que importar o Bruno – o desaparecido - para gritar comigo: eu sou feliz!

Bem, ainda não tenho a casinha, mas já tenho um milharal! Olha ele aí:




Fui visitar a Fazenda Cafundó que me fornece produtos orgânicos e que é a única no Brasil que produz o milho doce, uma das pérolas da gastronomia, em minha opinião. Sempre brinco com o pessoal de lá, dizendo que o milharal é meu. Quando chega a época da colheita, quero todas as espigas! Olha que jóia:






Fui então até lá conhecer o meu milharal e as pessoas que trabalham nele. Imediatamente após pisar naquela terra, fui tomada por uma emoção parecida com a que sentia quando colhia as folhas e verduras na horta que eu criei e cultivei no Palácio da Alvorada. A sensação de colher o que se vai comer é uma só: é de alegria.
Conhecer o local que carinhosamente fornece os produtos que vão estar dentro dos meus pratos também foi de felicidade pura. Acredito cada vez mais que só assim gastronomia faz sentido: na busca apaixonada pelo produto! Aparentemente, eles de um lado e nós de outro, mas que nada! No fundo estamos exatamente do mesmo lado. O lado de quem ama o que faz e faz por amor.

Conhecer o “meu” milharal me fez sentir mais amor pela minha profissão, pela minha jornada, pela minha busca incessante pela verdade. Percebi que devo isso não só a mim mesma, ou ao meu cliente, devo isso acima de tudo ao meu produtor. Aquele que acorda cedo pensando em mim. Que planta com carinho, que colhe com cuidado, que prima por uma única verdade: a da terra. Mais do que nunca senti que manter o sabor natural dos ingredientes, não é apenas certo, é a única maneira de viver a gastronomia verdadeiramente.

Até!

03/04/2007 ..

Falando nisso...




E por falar em ser livre, louco e apaixonado pelos meus fornecedores, resolvi dedicar o meu final de semana a isso. Estou na região serrana desde domingo, descansando, sonhando, lendo e visitando meus fornecedores. De vez em quando é mais do que justo que a gente saia da nossa cozinha e vá de encontro à deles! Essa troca é importantíssima e mais do que justa, já que sem eles não somos ninguém!

Então aí vai uma receita para preparar com as fantásticas framboesas de Vacaria, que dessa vez ainda não vou poder visitar, mas um dia desses não me escapa!

Até!

Framboesas gratinadas - Por Roberta Sudbrack

Ingredientes: (receita para 8 pessoas)

· 400g de framboesa
· 50g de açúcar
· 30g de açúcar de confeiteiro
· 4 folhas de massa para rolinho primavera
· 30g de manteiga sem sal derretida

Zabaione

· 6 gemas
· 1/3 de xícara de açúcar
· ½ cálice de vinho marsala seco

Modo de preparo:

Disponha as folhas de rolinho primavera em uma forma untada com manteiga derretida. Pincele mais manteiga derretida por cima da folhas. Leve ao forno quente até ficar crocante. Reserve.

Prepare o zabaione: bata as gemas com o açúcar até obter uma mistura cremosa e esbranquiçada. Junte o vinho e continue batendo até misturar bem.

Leve ao banho maria e continue batendo sem parar até obter um creme consistente.

Disponha as frutas no centro do prato, cubra com um pouco do zabaione e polvilhe com mais açúcar. Gratine com o maçarico de cozinha ou no próprio forno bem quente.

Quebre em pedaços irregulares as folhas de rolinho primavera e polvilhe com açúcar de confeiteiro. Acrescente alguns pedacinhos a cada prato para criar uma terceira textura. Sirva logo.
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